Freguesias
Freguesia de Aldeias
O topónimo Aldeias deriva da vizinhança das duas povoações que compõem a freguesia: Aldeia de Cima e Aldeia de Baixo, provavelmente assim designadas por ser a EN 313 que faz a separação das duas. No séc. XIII, e até ao séc. XVI, era conhecida por Aldeia de Santa Maria.
Segundo as informações que foram passando de geração em geração a origem do lugar estará no sítio dos Marmorinhos, tendo a mudança para a actual localização sido provocada por uma praga de formigas. Nas Chãs, Fraga da Pena, foram também encontrados vestígios arqueológicos que foram atribuídos, semclassificação credível, à antiga cidade romana Laconimurgun, suposta antecessora da cidade de Lamego.
Aldeias pertenceu à freguesia de Armamar até 1947, tornando-se a partir daí freguesia autónoma.


Em Aldeia de Cima estabeleceram-se famílias ligadas à nobreza e isso é bem visível pelo conjunto de casas brasonadas, a maior parte seiscentistas, compostas também por capelas particulares.
Actualmente Aldeias tem 376 habitantes e uma densidade populacional na ordem dos 72,4%. Ao contrário do que se passa na generalidade das freguesias do Município, tem mais população jovem (com idade até 17 anos) do que idosos (idades superior a 65 anos).
Aldeias tem dois estabelecimentos de ensino: um Jardim-de-infância e uma Escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico.
A população vive essencialmente da agricultura. Vinho, generoso e de mesa, batata e fruta são as principais colheitas.
Do património mais relevante faz ainda parte, para além das casas brasonadas já referidas, a igreja matriz, construída no séc. XX, que se destaca pela sua arquitectura moderna.

Freguesia de Arícera
Arícera fica a sudeste de Armamar e é a freguesia com a menor densidade populacional. Aqui vivem 236 pessoas, que compõem, segundo o Censos 2001, 70 núcleos familiares.
O povoamento desta terra é muito antigo. A avaliar pelos vestígios arqueológicos presentes, Arícera terá sido, na época romana, uma “villa” rústica onde se explorava minério. Ainda há relativamente pouco tempo era possível encontrar em Arícera casas com cobertura em colmo. Do património histórico destacam-se vestígios da civilização dolménica, da ocupação castreja e ainda a igreja matriz de invocação a São Cristóvão, em tempos filial da igreja de São Miguel de Armamar.
A agricultura praticada é de mera subsistência, uma vez que o solo, característico de região montanhosa e de declives acentuados, é pobre. Os produtos mais cultivados ao longo dos tempos têm sido o cereal (centeio e cevada), a batata e, mais recentemente, a maçã e a pêra.

Freguesia de Armamar
Armamar está implantada a sul do vale do douro numa encosta íngreme e tem aos seus pés a cascata da Misarela, um miradouro de onde se avista o cenário paisagístico do douro. Tem 1222 habitantes distribuídos por 554 alojamentos familiares (segundo dados do Censos 2001). Da freguesia faz ainda parte a povoação de Travanca.
É aqui que estão concentradas as infra-estruturas e os serviços que dão apoio a todo o Município: Câmara Municipal, Tribunal, Centro de Saúde, Escola EB 23, GNR, Correios, Repartição de Finanças, agências bancárias, entre outros.

Do património histórico destaca-se: a igreja matriz, de invocação a São Miguel, patrono da freguesia (embora as festas anuais sejam feitas a São João) único monumento no Município classificado como monumento nacional; algumas capelas, (capela do Espírito Santo, capela de Santa Bárbara, capela de São Lázaro, etc.) muitas propriedades anexa de casas brasonadas; as ruelas do lugar do Outeiro com reminiscências do período medieval; e a cascata da Misarela com o seu miradouro.
No lugar de Travanca há também diversas casas brasonadas que são dignas da atenção de quem por ali passa, exemplo da Casa Grande. Um dos últimos senhores da Casa Grande foi o Dr. António Carlos de Magalhães de Mendonça Pimentel, juiz conselheiro e Governador Civil do Distrito de Viseu entre 1893 e 1894. Merecem ainda destaque a capela de São Cristóvão, padroeiro de Travanca, a capela de Santo António (1665) anexa da Casa Grande, a capela Sra. do Bom Despacho (1679) e a Capela da Sra. Das Neves (1669).
Armamar tem actualmente como estruturas de educação: dois jardins-de-infância (um público e outro privado); duas escolas do 1.º ciclo do ensino básico (uma em Armamar e outra em Travanca); a única creche existente em todo o Município é propriedade de uma instituição privada sem fins lucrativos, a Fundação Gaspar e Manuel Cardoso, que também possui um lar de idosos.
Na freguesia têm expressão, em termos económicos, o sector dos serviços mas também a agricultura, caracterizada pela produção sobretudo de vinhos, de mesa e generosos, e maçã. O sector secundário está também representado por unidades de transformação de carnes instaladas em Travanca, algumas industrializadas e outras de âmbito mais familiar.


Freguesia de Cimbres
Cimbres está situada a sudeste da sede do Município num vale encimado pelo monte da Sra. da Graça. Aqui, apesar da curta distância, o Douro já não se sente nem respira, estamos em plena paisagem serrana. Na freguesia vivem cerca de 290 habitantes que constituem uma população muito envelhecida. O número de habitantes com idade acima dos 65 anos é o dobro dos que têm menos de 18. A freguesia tem em funcionamento uma escola do 1.º ciclo do ensino básico.
O povoamento desta terra remonta a tempos muito antigos, isso o atestam vestígios de vias romanas das mais importantes da península ibérica que cruzavam a freguesia.
No início da monarquia Cimbres pertenceu à “terra de Tarouca” e ao Couto de Argeriz (Salzedas). Usufruiu do foral concedido por D. Manuel I a Salzedas e em 1527 era um lugar do Concelho de Ucanha. Pertenceu ainda ao Concelho de Mondim da Beira até à extinção deste em 1896.


Para além do património já referido, em Cimbres pode visitar-se ainda a ermida da Sra. da Livração, junto da Sra. da Graça, a capela paroquial do Espírito Santo e o cruzeiro do Sr. Do Bom Despacho (1774).
Caracterizada maioritariamente por uma agricultura de minifúndio e subsistência, em Cimbres produz-se bastante fruta, cereais e batata.
Como aldeia serrana que é, Cimbres mantém a arquitectura tradicional com casas encostadas umas às outras, separadas quando muito por pequenos quinteiros.
O monte da Sra. da Graça é um dos cartazes turísticos de Armamar. Daqui se avista grande parte do espaço do Município, com destaque para a paisagem característica da parte sul repleta de pomares de macieiras. Aqui se realiza a 15 de Agosto a festa em honra da Sra. da Graça.


Freguesia de Coura
Coura é a freguesia mais pequena do Município. Aqui vivem 26 famílias clássicas num total de 42 habitantes. Tal como na maioria das freguesias do Município, a população idosa é em muito maior número, fruto da desertificação que leva os mais jovens para as grandes cidades do país e para o estrangeiro.
É uma aldeia muito antiga pois aqui se encontram vestígios pré-históricos, que vêm desaparecendo ao longo do tempo. Também aqui “passava” uma via da época romana tendo ficado alguns troços da mesma a caminho de Arícera.


O solo arenoso e pobre associado a terrenos com grandes declives ditaram que a agricultura fosse, ao longo dos tempos, praticada em pequenos “calços” onde se produz batata, maçã e castanha.
Antigamente eram cultivados cereais como trigo, centeio e cevada e, a juntar à agricultura, fazia-se também criação de gado ovino e caprino.
A aldeia conserva ainda nas suas ruelas e casas muito da arquitectura de povoado medieval que facilmente transportam para uma viagem no tempo quem a visita.

Para além do património já referido merece ainda destaque a igreja dedicada a São João Baptista, em tempos filial da de Armamar. Há também uma capela de invocação a São Vicente, situada fora da aldeia, junto do cemitério.
Freguesia de Folgosa
É a freguesia mais a norte do Município. Está situada na margem esquerda do rio Douro. Vivem na Folgosa 500 habitantes compondo um total de 157 famílias clássicas (Censos 2001).
A Folgosa teve foral atribuído por D. Sancho I em 1188. Pertenceu ao Concelho de Barcos até às reformas do liberalismo no século passado.
A paisagem envolvente é dominada pelo rio, que corre a seus pés, e pelas quintas onde se produz o famoso vinho do porto. Mesmo ao lado está uma das maiores de todo o Douro: a Quinta dos Frades. A Quinta da Folgosa, como antigamente era chamada, pertenceu ao Mosteiro de Salzedas por doação desde 1256 (daí a posterior designação de Quinta dos Frades).

Após a extinção das ordens religiosas, a quinta foi arrematada em hasta pública a 6 de Novembro de 1841 pelo 1.º Barão da Folgosa, Jerónimo de Almeida Brandão e Sousa. Em 1911, produzia então 300 pipas de vinho, passou a pertencer ao comendador Delfim Ferreira. Para além da Quinta dos Frades merece também outra referência, a Quinta da Penha, que ficou submersa pelas águas do Douro aquando da construção da Barragem de Bagaúste.
Do património da freguesia fazem parte: a igreja paroquial, da Sra. da Graça, a capela de Santa Bárbara, a capela de Sta. Teresinha (particular), capela de S. Bernardo (Quinta dos Frades) e a capela de Sta. Rita (Quinta da Redoída ou do Porto). Para além deste património religioso a Folgosa teve em tempos Casa da Roda onde se recolhiam crianças recém-nascidas abandonadas.
A freguesia tem um jardim-de-infância e uma escola do 1.º ciclo do ensino básico.
A economia da Folgosa desenvolve-se em torno da agricultura com o cultivo das vinhas e dos olivais.
Encostada ao Douro, é na Folgosa que se produzem uvas de excelente qualidade para os vinhos do porto e douro. A indústria também assume algum relevo: existem indústrias transformadoras de óleo de azeite e destilação de vinhos.


Recentemente foi construído na Folgosa um cais para acostagem de embarcações de pequeno, médio e grande porte. Numa iniciativa do Instituto Portuário e do Transportes Marítimos, esta obra pode ser aproveitada para captar para o Município o grande número de turistas que percorrem o Douro de barco. É uma infra-estrutura que tem tanto de bonito como pode vir a ter de importante no desenvolvimento do turismo em Armamar.
Freguesia de Fontelo
Existem elementos comprovativos que provam a antiguidade do povoamento de Fontelo. Terá existido o castro de São Domingos, posteriormente romanizado (“villa” agrária) que marcou o início da fixação de população nesta terra.
Fontelo é, de acordo com o Censos 2001, a segunda freguesia mais populosa do Município com 816 habitantes e 262 famílias clássicas. Á freguesia pertence ainda o lugar de Balteiro.
Foi cabeça de Concelho, elevada em 17 de Maio de 1514 através de foral manuelino, e teve juiz ordinário, escrivão, dois vereadores e procurador, cadeia, casa de audiências e pelourinho. O Concelho foi extinto em 1834/35 e integrado como freguesia no Concelho de Armamar.

Ex-libris da freguesia o monte de São Domingos, com a sua ermida típica das romarias medievais, é um dos pontos de observação da paisagem duriense mais espectacular, senão mesmo o mais extraordinário. Do miradouro de São Domingos conseguem avistar-se os Municípios de Tarouca, Lamego, Resende, Mesão Frio, Régua, Santa Marta de Penaguião, Vila Real e Sabrosa. Mesmo à frente dos olhos ergue-se a imponente Serra do Marão e aos nossos pés o Douro segue calmamente até ao Porto. A oeste, em primeiro plano, avista-se Lamego com o seu santuário da Sra. dos Remédios. Para norte vê-se a Régua e mais ao longe no horizonte vislumbra-se Vila Real.
Do património da freguesia fazem parte: a igreja paroquial de invocação a São Domingos; a capela da Sra. dos Remédios (brasonada) é das mais antigas do bispado e dava sepultura a defuntos da margem oposta do rio douro; fora da povoação existe ainda a capela da Sra. do Cedro e a ermida de S. Domingos, lá em cima no monte com o mesmo nome. Merece ainda referência o Paço do Bispo, residência armoriada e setecentista que serviu de Câmara dos Bispos.
O vale ou veiga de Naçarães é muito fértil e aqui abundam as vinhas e os pomares. O vinho constitui uma parte importante da economia da freguesia. Para além disto, a actividade económica estende-se ainda à indústria, nomeadamente, a exploração de granitos que é feita na parte nascente do monte de São Domingos.
Fontelo tem em funcionamento um jardim-de-infância e duas escolas do 1.º ciclo do ensino básico: uma em Balteiro e outra em Fontelo.
A freguesia está servida por uma IPSS – Centro Social e Paroquial de Fontelo que preta serviço aos idosos, dispondo de lar e apoio domiciliário.
Freguesia de Goujoim
Goujoim está situada a leste de Armamar, junto do rio Tedo. Com 102 habitantes (Censos 2001) é uma das mais freguesias mais desabitadas. É um povoado concentrado com arquitectura característica das aldeias isoladas. Da freguesia faz ainda parte o lugar da Ribeira de Goujoim.

Os inúmeros vestígios arqueológicos encontrados na freguesia são prova mais que evidente da ocupação remota deste lugar. Goujoim é talvez a freguesia com o património arqueológico mais rico de todo o município.
O interesse arqueológico da freguesia pode perceber-se se enumerarmos alguns pontos de interesse que merecem uma visita: o castro situado numa eminência rochosa voltada para o Tedo com grande parte das suas muralhas ainda intacta; a necrópole do Mogo composta por diversos túmulos, um deles antropomórfico (com a forma do corpo humano); o marco miliário, exemplar único em Portugal, só se conhecendo a existência de mais dois em Espanha; a fonte romana situada na zona do castro, o pelourinho na praça central da aldeia, exemplar único no Município, entre muitos outros.
De facto Goujoim é uma aldeia repleta de história. Sede de Concelho na primeira metade do século XVI conserva ainda a casa da Câmara (e cadeia) com a sineira medieval, atributo das residências municipais e o pelourinho (segunda metade do século XVII). A importância histórica de Goujoim está também bem patente no número de casas solarengas que preenchem o centro habitacional da aldeia, com especial destaque para a Casa Preta.


O lugar da Ribeira de Goujoim, situado na margem direita do rio Tedo, é também um pequeno povoado caracterizado por uma vida comunitária com laços estreitos de vizinhança e onde as tradições comunitárias já desaparecidas em todo o lado aqui se fazem ainda sentir.
É na Ribeira de Goujoim que se encontram as Caldas da Moura, ou Fonte de D. Moira. Aqui a natureza fez nascer uma água considerada por muitos médicos e especialistas como benéfica para cura de muitas doenças. Esta água foi muito usada pelo médico municipal, Dr. Scipião José de Carvalho (1865-1926) em doentes seus tendo alcançado bons resultados.


Também o médico Dr. João de Araújo Correia a usou, tendo deixado um opúsculo (1948) em que refere casos de sucesso na cura de doenças por administração desta água. Infelizmente, a mobilização de terras para abertura de uma estrada terá provocado a mistura de diferentes nascentes e esta água com propriedades tão particulares terá perdido as suas características singulares.
Freguesia de Queimada
A história de Queimada cruza-se com a da vizinha cidade de Lamego ao longo de vários séculos. A localidade fez parte desde a alta Idade Média, juntamente com Queimadela, da terra ou termo de Lamego.
Do património de relevo na freguesia destacam-se a igreja matriz de invocação a São Pedro e as apelas do mártir São Sebastião e de Santo António.
Situada num planalto junto do monte de São Domingos e em pleno vale de Naçarães, local onde têm sido encontrados diversos achados arqueológicos a provar a antiguidade da ocupação destas terras, Queimada tem (segundo o Censos 2001) 304 habitantes que compõem 225 famílias clássicas. Tal como na quase totalidade das freguesias do Município, a população tem vindo a envelhecer, sendo que as pessoas com idades superiores aos 65 anos representam já cerca de 45.4% da população total.
Queimada tem grande potencial de produção agrícola com especial destaque para a produção de vinho, batata, fruta e produtos hortícolas. Pratica-se uma agricultura de subsistência em explorações de cariz familiar.
É em Queimada que podemos visitar a primeira unidade de alojamento turístico a surgir no Município. Trata-se de um empreendimento de turismo rural, a Quinta da Barroca, que oferece aos seus clientes um vasto conjunto de serviços, isto para não falar no enquadramento paisagístico de que se desfruta no local.
Em Queimada existem em funcionamento um Jardim-de-infância e uma Escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico.
LENDA ANTIGA DE S. DOMINGOS DE QUEIMADA
Quando por aqui passaram as hostes romanas de Trajano que acamparam no Castro de S. Domingos, um chefe militar ou lugar-tenente raptou, à passagem por Queimada, uma linda rapariga por quem se apaixonou. Procurou convencê-la a segui-lo para o acampamento. Renitente, acabou por ir à força.
A moça tinha sete irmãos que tentaram, em vão, defender a honra da rapariga. Presos, foram degolados. Um deles, segundo a lenda, terá sido o primitivo S. Domingos em honra do qual foi erguida a ermida, no alto do monte do mesmo nome que na altura pertencia ao termo de Queimada, e de onde se avistam os restantes seis irmãos, todos santos e cada um com a sua ermida, aquém e além Douro, como é o caso de S. Leonardo de Galafura.
Freguesia de Queimadela
Queimadela situa-se no extremo poente do Município e faz fronteira com o rio Varosa.
Falar da história de Queimadela é quase a mesma coisa que falar da história de Queimada e de Figueira, freguesia pertencente ao Município de Lamego. As inquirições de D. Dinis provam que, desde o século XIII Queimadela e Figueira constituíram uma só unidade administrativa (freguesia) do Concelho de Lamego. Em termos paroquiais também se verificou esta união, ou seja, Queimadela estava agregada a São João de Figueira e chegou mesmo a ser filial da Matriz de Britiande. Esta união só terminou em meados do século XVIII.
Outra prova da antiguidade e importância de Queimadela na época medieval surge no Cadastro de 1527, então com 34 moradores, foi honra do aio de D. Afonso Henriques.
Do património existente destaca-se a igreja paroquial (Sra. da Piedade) e a capela de São Lourenço, esta num ponto excelente para apreciar a paisagem envolvente, nomeadamente a Cidade de Lamego e a envolvente ao rio Varosa.
A freguesia é actualmente composta por 331 habitantes e é a que tem a maior densidade populacional do Município, 132.6% (dados Censos 2001). No apoio à educação os habitantes de Queimadela têm um jardim-de-infância e uma Escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico.
A agricultura é intensiva e caracteriza-se por uma predominância grande do cultivo da maçã (197 hectares num total de 202 de superfície agrícola existente). Antigamente, os declives acentuados para o rio Varosa eram também muito aproveitados para as culturas da vinha, azeite, cereais e batata.
De referir que antigamente Queimadela foi lugar de grande produção de telha (mourisca e de canudo). A antiguidade desta arte em Queimadela remonta ao período medieval, comprovada por fornos entretanto soterrados. Nessa época a actividade era mais vasta, alargando-se à produção dos mais variados utensílios domésticos e objectos decorativos. Com a introdução da prática da cobertura das casas pela telha de cerâmica é que a actividade se centrou na produção destas.
Das artes e ofícios há que referir um que, felizmente, ainda prevalece: a tanoaria. Dois irmãos mantêm a tradição desta arte, que herdaram do pai: um dedica-se mais à produção de miniaturas de madeira (pipos, canecas, bonecos, carros de bois, etc.); o outro centra a sua actividade na produção da tanoaria e vasilhame propriamente ditos, a partir da madeira de castanho, matéria-prima da região.
website de Queimadela
Freguesia de Santa Cruz
Santa Cruz de Lumiares, ou Santa Cruz, fica na parte sul do Município. Tudo leva a crer que a “villa” rústica tenha tido um templo a Santa Cruz e daí o nome da localidade.
O nome de Santa Cruz de Lumiares já existia no século XII e provém do facto de ter sido dependente do Couto de Lumiares, uma vez que aparece nos limites dele em 1161 e as inquirições de 1258 (D. Afonso III) também o confirmam.


Da freguesia faz ainda parte o lugar de Vila Nova, situado mais a sul.
A agricultura que se pratica é de subsistência e em regime de minifúndio. Cultiva-se batata, cereal, fruta e vinho.
Nos últimos anos tem-se intensificado a produção de maçã em extensos pomares que introduzem mudanças ao nível da paisagem.
A pastorícia, actividade que vem de tempos remotos, ainda vai representando algo na economia da freguesia mas já muito longe da realidade de outros tempos.
Actualmente a freguesia não tem mais de 200 habitantes, sendo que crianças e jovens representam apenas 17% da população.
Do património histórico da freguesia fazem parte a igreja paroquial, a capelinha da Sra. da Livração (1874), capela Miradouro da Sra. da Saúde, em Vila Nova na serra do mesmo nome e a capela do Espírito Santo, também em Vila Nova.
Destaque especial merece a capela de São Gregório pela importância que o culto associado a este monumento tem, não só a nível da freguesia mas também do Município. A Feira e Romaria a São Gregório acontece a 12 de Março e tem longínquas tradições que interessa preservar.


Vila Nova, a outra localidade da freguesia tem origens no século XII ou até mesmo antes da Nacionalidade nalgum prédio rústico. Neste lugar são tradição as indústrias caseiras de lacticínios e carne como resultado da actividade da pastorícia. Vila Nova é conhecida por ser a terra dos queijinhos de cabra e de outro produto que é um dos melhores rótulos da gastronomia de Armamar, o Cabritinho.
Com pastagens de excelente qualidade, Vila Nova está muito ligada à pastorícia com criação de gado caprino. Antigamente outras actividades artesanais aproveitavam todos os recursos da pastorícia, caso das mantas de burel, que eram feitas em São Martinho e Lumiares, terras de fiadores e cardadores. Os pastores usavam-nas no Inverno atadas aos ombros, em conjunto com polainos de junco feitos em Vila Nova e que os protegiam dos frios e das grandes nevadas. Outra das indumentárias dos pastores era a palhoça (ou croça), espécie de sobretudo feito em junco ou palha de centeio e que servia para os proteger da chuva.
website de Santa Cruz
Freguesia de Santiago
Em Santiago vivem 180 habitantes (Censos 2001) distribuídos por 76 famílias clássicas. É uma localidade com história muito antiga. Recebeu Carta de Foro de D. Afonso Henriques (1169) e a ela se referem as inquirições de 1258. Na primeira metade do século XVI era lugar do termo da vila de Armamar.
Do património que prevalece destaca-se o religioso: a igreja paroquial, que foi filial da de Armamar; as capelas da Sra. das Dores e de Sto. António (ambas do século XVIII).


A capela da Sra. das Dores domina a freguesia. Situada numa elevação enquadra o recinto da feira antiga que se realizava aos domingos e onde se comercializavam sobretudo produtos da lavoura e da criação de gado. Nos anos 80 a tradição que se havia perdido de realizar esta feira foi retomada e actualmente acontece no primeiro Domingo de cada mês.
Produz-se batata, vinho, castanha e cereais. No entanto, e como acontece de forma generalizada por todas as freguesias do sul do Município, os pomares de maçã têm ganho destaque.
Faz parte da freguesia de Santiago o lugar de Paços. Antigamente era “villa” rústica e independente de Santiago. Foi também mandada povoar por D. Afonso Henriques. O nome do lugar deriva certamente de um paço senhorial anterior à Nacionalidade que aqui terá existido.
Freguesia de Santo Adrião
Santo Adrião faz fronteira com o Município de Tabuaço e tem o rio Tedo a servir de fronteira de demarcação. Na sua margem direita, a freguesia assenta num declive montanhoso onde predominam os socalcos das vinhas durienses.
A povoação pertencia, nos princípios do século XVI (1527), ao Concelho de Barcos, tendo sido lugar do termo desta vila a que D. Afonso III deu carta de foro em 1263. No século XIX, com a supressão desse Concelho, Santo Adrião passou para Armamar.

A Antiguidade da freguesia é documentada por um grande número de achados e vestígios arqueológicos: sepulturas cavadas na rocha; uma fortaleza a pequena distância da povoação, provavelmente da época castreja; moedas e cerâmicas encontradas em diversos pontos, entre muitos outros.
Um dos elementos do património que mais destaque merece é a ponte romana, assim designada, muito embora seja de construção do século XV. No entanto, os seus contrafortes revelam estrutura românica e poderá ter sido construída sobre as fundações de uma outra mais antiga, possivelmente romana. Dessa época existiram no local umas poldras (pedras colocadas no leito dos rios para servir de passagem) mas que foram destruídas por uma cheia em 1962.

Na freguesia vivem 145 habitantes (censos 2001) que se dedicam, na sua esmagadora maioria, à agricultura. A vinha e o vinho constituem quase exclusivamente o cartaz agrícola. Aqui se produzem vinhos, generosos e de mesa, de excelente qualidade. Santo Adrião também já foi um bom lugar de produção de azeite e laranja. Chegaram a funcionar duas azenhas (a mais antiga datada de 1757) que laboravam durante dois a três meses no ano. No entanto, há cerca de três décadas a “ferrugem” dizimou a cultura do olival. Os terrenos, mobilizados, foram reconvertidos em vinhas.
Freguesia de São Cosmado
São Cosmado é uma das maiores freguesias do Município. Em 2001 aqui viviam 707 habitantes. Da freguesia fazem ainda parte as povoações de Contim, Lapinha e Cardais. Está situada no limite sul do Município, fazendo fronteira com os de Moimenta da Beira e Tabuaço.
A história de São Cosmado tem tanto de antiguidade como de riqueza. Nesta zona são abundantes as lendas, os contos e as histórias. Existem vestígios de uma fortaleza castreja a nascente da actual povoação no monte do castelo. Esta tinha por vizinhas outros três: espaços fortificados (castros): o de Goujoim, o de Longa e o monte Ladário. Isto revela que a zona terá sido densamente povoada em tempos remotos.
Mais tarde São Cosmado terá usufruído de foral antigo e depois de foral manuelino, este concedido a 15 de Dezembro de 1512, consagrando São Cosmado como Concelho. No Cadastro de 1527, tinha 65 moradores e confrontava com os Concelhos de Lumiares, Goujoim, Granja do Tedo e Castelo. O Concelho de São Cosmado foi suprimido em 24 de Outubro de 1855, passando a pertencer, como freguesia, ao de Armamar. O desenho urbano da vila revela muitos traços dessa época.


No princípio do século XX cultivava-se tabaco em São Cosmado e, a julgar pelos registos deixados, seria de muito boa qualidade.
Do património da freguesia destacam-se: a igreja matriz, seiscentista, de São Cosme e São Damião, com talha dourada barroca e considerada a mais artística do Município. Este templo terá sido construído no início do século XVII mas antes existiu um outro templo, dos princípios da Nacionalidade, no fundo do povoado no sítio das Fontaínhas que ainda hoje é reconhecido pelo nome de Igreja Velha; merece também atenção o Cruzeiro do Senhor das Prisões e, ao fundo da freguesia, dois blocos graníticos de grandes dimensões e encostados um no outro, os Penedos do Cunho, envoltos em mistérios e lendas curiosas (uma lenda diz que um deles contém fogo e outro oiro); de referir ainda as capelas de S. Pedro (1640), do Sr. da Aflição (1904), de S. Gonçalo, da Sra. da Conceição; ainda nos Cardais a capela de S. João (seiscentista) e, da mesma época, na Lapinha, a capela de S. Francisco.
Junto da Igreja Matriz pode ver-se o busto de um insigne local, Francisco Gomes Teixeira (1851-1933), professor catedrático de Matemáticas e primeiro reitor da Universidade do Porto.
A agricultura da freguesia resume-se praticamente ao cultivo da maçã. No entanto, a vinha tem também uma pequena representação.
Em termos de estruturas de apoio à educação, São Cosmado contava até ao ano 2005 com 4 estabelecimentos: um jardim-de-infância e uma Escola do 1º Ciclo do Ensino Básico na sede de freguesia e mais três escolas em Contim, Cardais e Lapinha. A diminuição gradual da população levou ao encerramento de todas as unidades de ensino com excepção das instaladas mesmo na vila.
São Cosmado conta com serviços de apoio aos idosos, a cargo da Associação de Solidariedade Social e Recreativa de São Cosmado, que presta apoio nas valências de centro de dia e apoio domiciliário.
Contim é o segundo lugar da freguesia. Os Cardais e a Lapinha são aglomerados mais modestos e, ao contrário de Contim, desviados do eixo da estrada nacional. Estas duas pequenas povoações estão referenciadas como antigos centros de tecelagem manual, pisoamento de buréis e fiação de lãs.
Mas, voltemos a Contim. Aqui destaca-se, pela sua dimensão e beleza arquitectónica, a capela da Sra. dos Milagres. Segundo a tradição oral terá sido construída a mando de D. Maria I, como retribuição de uma promessa pela cura do infante que, segundo a mesma tradição terá sido amamentado por ama da Granja do Tedo. A enquadrar este templo, enriquecendo a envolvente do local, surgem duas construções associadas ao tempo das peregrinações: a Casa da Novena e o artístico fontanário das três bicas, na fachada da Casa da Novena.
Freguesia de São Martinho das Chãs
São Martinho é uma freguesia bastante grande com três povoações: S. Martinho, Gogim e Lumiares. Com 762 habitantes (Censos 2001) e 226 famílias clássicas é a segunda maior em área total com 9,7 km2 (num total de 117,1 km2 que tem o Município). Na freguesia existem duas escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico, uma em Gogim e outra em Lumiares.

A povoação fez parte do termo da vila de Lumiares até à extinção do mesmo Concelho em 1834, altura em que passou a integrar o de São Cosmado até 1855. É uma das mais antigas paróquias da diocese de Lamego e o templo primitivo que existia no local da actual igreja terá origens no período da monarquia visigótica. (século VI).
Em 1527 o “Numeramento” dava à cabeça de Concelho (Lumiares) 43 moradores, tendo: S. Martinho, 30; Vila Nova, 6; Santa Cruz, 43; Gogim, 63; e Casal de Fagilde, 2. Todos estes lugares eram pertencentes ao Concelho de Lumiares.
No Couto de Lumiares, composto pelas povoações de S. Martinho, Gogim, Vila Nova e Santa Cruz imperou o influente barão e trovador medieval D. Abril Peres, bisneto de Egas Moniz.
As ruas de São Martinho, estreitas e compondo na sua totalidade um povoado muito compacto, remontam ao típico ordenamento medieval. Um passeio pela povoação é assim quase uma viagem no tempo. Do património de S. Martinho ressalta a importância da Igreja Paroquial, coeva da de Armamar e das mais antigas do Município. É um monumento que requer uma visita atenta para apreciar alguns pormenores interessantes: um relógio de sol na parede sul; a torre do relógio; a cornija repleta de modilhões representando motivos simbólicos, isto para falar só do exterior do monumento.

A freguesia de São Martinho das Chãs, situada na parte sul do Município e já numa zona de transição para climas mais frios, teve e tem uma agricultura diferente da que encontramos nas freguesias mais a norte, junto ao vale do Douro. Aqui se produzia antigamente muito cereal, nomeadamente centeio e milho, azeite e vinho.
Nos dias de hoje já não se vê cereal nem azeite e, mesmo vinhas, são muito poucas. A cultura dominante é a maçã. Gogim é o centro da fruticultura do Município. Na freguesia estão concentradas grande parte das unidades de refrigeração que conservam toneladas de maçã entre o período da colheita e expedição para os pontos de venda.
A cultura da maçã terá surgido aqui pela mão de D. Francisco Maria Martinho de Almeida Manuel de Vilhena (9.º conde de Vila Flor e 2.º de Alpedrinha). Era um famoso engenheiro agrónomo e a ele se deve a experiência bem sucedida da cultura da maçã em Gogim.

Em Gogim merece destaque pela sua beleza, imponência e importância histórica a Casa Grande. Residência nobre, é o único solar existente no Município e aqui viveram os condes de Vila Flor e Alpedrinha. Tem capela particular de invocação a S. Domingos. Em 1713 teve obras de reconstrução para receber a boda de D. Miguel Teixeira de Carvalho (1669-1756) com D. Maria Engrácia de Albuquerque. Este acontecimento marcou a memória dos habitantes de Gogim e de todas as gentes do Concelho pela dimensão da festa com grande número de convidados, e pela abundância das sedas e dos damascos e o luxo dos coches que ali se viram.
Lumiares, a outra povoação da freguesia, foi em tempos terra muito importante. Cabeça de Concelho e de Condado, no primeiro terço do século XIV era paróquia da diocese de Lamego.
Teve foral antigo e D. Manuel concedeu-lhe foral novo em 9 de Março de 1515 com casa de Câmara, vereadores e justiça própria com juiz. Em 1834 o Concelho foi extinto.
Do património de Lumiares, que terá sido muito rico, pouco resta. A capela paroquial, de invocação a Sra. da Graça persiste juntamente com o pelourinho, muito embora este tenha sido transformado em cruzeiro. No entanto não há grandes vestígios da arquitectura urbana medieval, nem dos paços nobres que foram habitação dos filhos de Egas Moniz e depois de D. Abril Peres, senhor do Condado.
Freguesia de São Romão
O nome vem do próprio padroeiro da paróquia. Da freguesia fazem parte ainda os lugares de Alcouce, Travasso e Os Passos. Aqui vivem, segundo dados estatísticos de 2001, 233 habitantes que compõem uma população maioritariamente envelhecida.
Há inúmeras referências escritas a S. Romão, a maioria a partir do século XII, e que atestam a antiguidade desta terra. Na Idade Média, foi atribuída à população “honra de cavalaria”, terra doada pelo Rei a ricos homens para que ali se tratasse dos homens que haviam de ser seus cavaleiros na guerra. Na Idade Média a cavalaria era a parte mais importante do exército, daí se pode retirar a importância da escolha de São Romão para terra de preparação desses elementos.
O Papa Paulo V aprovou, em 1616, uma das mais antigas irmandades das almas em São Romão.
Do património de relevo na freguesia refira-se a igreja paroquial (1649), a capela da Sra. da Costa, no monte do mesmo nome (também era conhecida por Sra. do Direito e tinha por devotas em especial as mulheres casadas), em Os Paços a capela de Sto. António (oitocentista e também conhecida por Sra. da Boa Morte). Há ainda que referir casas de antigas famílias abastadas, como são: a Casa da Cerca e a Casa dos Regos.
Em São Romão produzia-se, no século XVIII, essencialmente cereal (milho, trigo e centeio). No século XIX já se cultivava também a cevada, fruta e vinha. Nos dias de hoje predominam os pomares de macieiras e as vinhas para produção de vinhos da região do Varosa.
Freguesia de Tões
Tões é a freguesia mais pequena do Município, com apenas 2 km2 e aqui vivem 195 habitantes.
Segundo a tradição o local primitivo de implantação do povoado terá sido num declive da Fraga da Pena, lugar das Cortinhas, não muito distante da capela da Sra. da Guia. E, de facto, lá têm aparecido alguns vestígios arqueológicos (restos de cerâmica e outros).
Em 1527 Tões era um pequeno lugar, apenas com 30 moradores, do termo da vila de Armamar. Nesta altura ainda não existia a paróquia independente de Sta. Senhorinha e Tões era anexo da Paróquia de S. Miguel de Armamar. O primitivo templo de Santa Maria localizava-se no lugar já referido das Cortinhas e daí terá surgido o culto à Sra. da Guia. Do novo templo tem-se referências no início do século XVII.
Para além do património já referido, em Tões conta-se ainda a capela de Sto. António, a capela da Sra. da Graça, particular e integrada na Quinta da Lama Redonda e a Fonte Velha (1701).
A capela da Sra. da Guia foi construída por voto antigo das populações de Aldeias e Tões e posteriormente reconstruída (há referências de que se encontrava em ruínas em 1606) pelas mesmas povoações em 1676 e por iniciativa de Manuel Cardoso Leitão e sua mulher, D. Serafina Teixeira de Lucena, as mesmas pessoas que mandaram fazer a capela da Sra. das Neves em Travanca. A romaria a esta capela, na segunda-feira de Páscoa, foi sempre muito concorrida.
A Quinta da Lama Redonda, “villa” rústica no século XII, das mais antigas da região, é digna de referência no património da freguesia. A ela existe referência de 1191 como instrumento de doação ao mosteiro de Salzedas por Pedro de Ooriz. É composta por vinhas e uma casa solarenga de dois pisos com capela particular (a que já se fez alusão).
Em Tões produz-se vinho, fruta e batata. Os cereais, trigo e centeio, foram cultivados noutros tempos. O Monte Raso era considerado um grande “celeiro” na freguesia e fora dela.
Freguesia de Vacalar
Muito próximo do Douro, Vacalar é uma das freguesias mais a norte do Município. Dela faz parte a povoação de São Joaninho.
Em tempos, tanto Vacalar como São Joaninho foram lugares anexos da freguesia de Armamar. Em 1958, Vacalar adquiria a sua autonomia administrativa.
A padroeira do Vacalar é Nossa Sra. da Graça com igreja construída num lugar onde havia existido uma capela medieval da mesma invocação.
Do património religioso da povoação faz ainda parte a capela de Santa Ana. Existem também duas capelas de invocação a S. José, ambas particulares; uma na Quinta de S. José do Barrilário (1747) e outra na Quinta do Vilarinho. A Quinta do Temilobos possui também uma capela da segunda metade do século XIX dedicada à Sra. da Conceição. Em São Joaninho refira-se a capela da Sra. do Carmo (reconstruída em 1898).
A freguesia é produtora de vinhos de mesa e generosos (Porto) de excelente qualidade. Aqui abundam as quintas onde se trabalha debaixo de temperaturas que no verão facilmente ultrapassam os 35 graus centígrados. Para além do vinho, também se produz bastante azeite e de muito boa qualidade.
Uma cultura que foi muito popular no século passado foi a do sumagre (arbusto que dá um fruto redondo avermelhado e que tem aplicação em tinturaria e farmácia). Este produto era vendido para Vila Real (a 3$50 a arroba) para a indústria de curtumes.
Do Vacalar eram naturais os beneméritos Gaspar e Manuel Cardoso que deixaram uma considerável fortuna para a construção do Hospital de Armamar. Os seus bustos podem ser vistos na fachada do edifício, actualmente propriedade da Fundação Gaspar e Manuel Cardoso, onde funciona o Centro de Saúde.
LENDA DO MILAGRE DE SANTA ANA
Associado ao culto a santa Ana existe uma lenda que conta que a 26 de Julho de 1727, dia consagrado à santa, em pleno verão e numa vinha da aldeia terá jorrado água em abundância. Para tentar descobrir o porquê deste estranho fenómeno os homens da povoação cavaram no local e ter-se-ão deparado com ruínas de uma construção em cantaria que depois serviu para a fonte que actualmente existe.
Freguesia de Vila Seca
Situada a nordeste de Armamar, a freguesia de Vila Seca é das mais extensas em área no Município.
Vila Seca foi couto de instituição senhorial, depois couto eclesiástico da Sé de Lamego. Foi vila e cabeça de Concelho, referido no Cadastro de 1527 como sendo constituído apenas pela povoação de Vila Seca. O Marmelal, actualmente povoação da freguesia, era na altura lugar do termo e vila de Armamar.

Vila Seca teve tribunal, casa da Câmara, cadeia e pelourinho. O Concelho foi extinto no período constitucional (1863) e passou a freguesia do Concelho de Barcos. Com a extinção passou a fazer parte do Concelho de Armamar.
O lugar da ancestral povoação seria no sítio do Outeiro, uma pequena elevação a poente. No entanto, também a norte e até ao alto do Marmelal surgiram diversos vestígios arqueológicos que provam ocupação remota desses locais: lagares cavados na rocha, necrópoles, cerâmica e moedas do período romano são alguns exemplos. Na desaparecida povoação de Vila Chã, no lado oposto ao alto do Marmelal, foram também recolhidas peças de cerâmica e moedas.
A freguesia de Vila Seca está situada numa zona marcadamente duriense. Não é pois de admirar que grande parte da produção agrícola seja o vinho e o azeite. Em tempos o cultivo dos cereais também teve alguma expressão.
Na primeira metade do século XX, com a instalação em Vila Seca do primeiro hospital do Município, muitos médicos recomendaram a aldeia como excelente local de veraneio e descanso para quem quisesse fugir à vida agitada e poluição das cidades. Com boas águas, bons ares, paisagens verdejantes em volta, os rios Douro e Tedo ali perto e mais ao longe a vista da Serra do Marão, Vila Seca depressa ficou famosa e no verão muitas famílias escolhiam o local para férias.
A igreja matriz, de invocação ao Divino Espírito Santo, terá sucedido a um templo mais antigo, a capela da Sra. do Ervedeiro. Do património de Vila Seca fazem ainda parte a capela da Sra. do Leite, junto do cemitério, a capela de Nossa Sra. da Conceição (1863) situada na Quinta de Castelo Borges, o Palácio dos Viscondes de Valmor (com diversos elementos emblemáticos dos palacetes de finais do século XVIII), e ainda, à entrada da povoação, um edifício de finais do século XVIII que terá sido residência de D. Luís da Silva, par do Reino.
Figuras de relevo na freguesia foram os irmãos beneméritos José e António Rodrigues Cardoso que fizeram fortuna no Brasil. A eles se ficaram a dever as obras de captação de água e construção do fontanário no Cimo da Vila, o calcetamento da rua principal, a construção da escola e do hospital com asilo e creche.

O Marmelal, segunda povoação da freguesia, foi um dos primeiros concelhos de Armamar. Teve foral no ano 1194.
Durante séculos a povoação não tinha nenhum acesso por terra, sendo o rio Douro a única via de contacto com o exterior.
O Marmelal é visita obrigatória, mais que não seja, para poder desfrutar do quadro paisagístico que dali se vislumbra: o rio Douro ao fundo, com a foz do rio Tedo que a ele se junta enquadrados pela beleza dos socalcos de vinhas onde se cultivam as uvas para produção dos excelentes vinhos do Douro e Porto.
Digna ainda de referência é a capela da Sra. das Neves mesmo no centro da povoação.
PAI CALVO
A sul do Marmelal, e por baixo da Fraga do Gato, existem umas ruínas de casas de xisto, casas de habitação e lagares. São as ruínas de Pai Calvo. Aqui terá existido antigamente uma quinta (Quinta de Paicalvo), também conhecido por “Eiras de Pay Calvo”.

A ocupação do lugar deve remontar a meados do século XVII, altura em que os vinhos do Douro começaram a ser exportados com sucesso e a viticultura duriense se começou a expandir. A história deste lugar está portanto ligada à história do cultivo da vinha no Douro.
No século XVIII Pai Calvo era lugar de destaque na estrutura vitivionícola duriense. Nas demarcações pombalinas de 1757 a Quinta de Paicalvo foi incluída na “zona provável de feitoria”, a segunda melhor classificação, a seguir à de Feitoria.
Sendo uma quinta produtora de vinhos de grande qualidade não seria de esperar vê-la hoje deserta, onde só as paredes de xisto permanecem para perpetuar a memória do lugar. A desertificação de Pai Calvo ficou a dever-se à praga da filoxera que devastou o Douro e provocou um “virar de página” na história da região.
O topónimo Aldeias deriva da vizinhança das duas povoações que compõem a freguesia: Aldeia de Cima e Aldeia de Baixo, provavelmente assim designadas por ser a EN 313 que faz a separação das duas. No séc. XIII, e até ao séc. XVI, era conhecida por Aldeia de Santa Maria.
Segundo as informações que foram passando de geração em geração a origem do lugar estará no sítio dos Marmorinhos, tendo a mudança para a actual localização sido provocada por uma praga de formigas. Nas Chãs, Fraga da Pena, foram também encontrados vestígios arqueológicos que foram atribuídos, semclassificação credível, à antiga cidade romana Laconimurgun, suposta antecessora da cidade de Lamego.
Aldeias pertenceu à freguesia de Armamar até 1947, tornando-se a partir daí freguesia autónoma.


Em Aldeia de Cima estabeleceram-se famílias ligadas à nobreza e isso é bem visível pelo conjunto de casas brasonadas, a maior parte seiscentistas, compostas também por capelas particulares.
Actualmente Aldeias tem 376 habitantes e uma densidade populacional na ordem dos 72,4%. Ao contrário do que se passa na generalidade das freguesias do Município, tem mais população jovem (com idade até 17 anos) do que idosos (idades superior a 65 anos).
Aldeias tem dois estabelecimentos de ensino: um Jardim-de-infância e uma Escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico.
A população vive essencialmente da agricultura. Vinho, generoso e de mesa, batata e fruta são as principais colheitas.
Do património mais relevante faz ainda parte, para além das casas brasonadas já referidas, a igreja matriz, construída no séc. XX, que se destaca pela sua arquitectura moderna.

Arícera fica a sudeste de Armamar e é a freguesia com a menor densidade populacional. Aqui vivem 236 pessoas, que compõem, segundo o Censos 2001, 70 núcleos familiares.
O povoamento desta terra é muito antigo. A avaliar pelos vestígios arqueológicos presentes, Arícera terá sido, na época romana, uma “villa” rústica onde se explorava minério. Ainda há relativamente pouco tempo era possível encontrar em Arícera casas com cobertura em colmo. Do património histórico destacam-se vestígios da civilização dolménica, da ocupação castreja e ainda a igreja matriz de invocação a São Cristóvão, em tempos filial da igreja de São Miguel de Armamar.
A agricultura praticada é de mera subsistência, uma vez que o solo, característico de região montanhosa e de declives acentuados, é pobre. Os produtos mais cultivados ao longo dos tempos têm sido o cereal (centeio e cevada), a batata e, mais recentemente, a maçã e a pêra.

Freguesia de Armamar
Armamar está implantada a sul do vale do douro numa encosta íngreme e tem aos seus pés a cascata da Misarela, um miradouro de onde se avista o cenário paisagístico do douro. Tem 1222 habitantes distribuídos por 554 alojamentos familiares (segundo dados do Censos 2001). Da freguesia faz ainda parte a povoação de Travanca.
É aqui que estão concentradas as infra-estruturas e os serviços que dão apoio a todo o Município: Câmara Municipal, Tribunal, Centro de Saúde, Escola EB 23, GNR, Correios, Repartição de Finanças, agências bancárias, entre outros.

Do património histórico destaca-se: a igreja matriz, de invocação a São Miguel, patrono da freguesia (embora as festas anuais sejam feitas a São João) único monumento no Município classificado como monumento nacional; algumas capelas, (capela do Espírito Santo, capela de Santa Bárbara, capela de São Lázaro, etc.) muitas propriedades anexa de casas brasonadas; as ruelas do lugar do Outeiro com reminiscências do período medieval; e a cascata da Misarela com o seu miradouro.
No lugar de Travanca há também diversas casas brasonadas que são dignas da atenção de quem por ali passa, exemplo da Casa Grande. Um dos últimos senhores da Casa Grande foi o Dr. António Carlos de Magalhães de Mendonça Pimentel, juiz conselheiro e Governador Civil do Distrito de Viseu entre 1893 e 1894. Merecem ainda destaque a capela de São Cristóvão, padroeiro de Travanca, a capela de Santo António (1665) anexa da Casa Grande, a capela Sra. do Bom Despacho (1679) e a Capela da Sra. Das Neves (1669).
Armamar tem actualmente como estruturas de educação: dois jardins-de-infância (um público e outro privado); duas escolas do 1.º ciclo do ensino básico (uma em Armamar e outra em Travanca); a única creche existente em todo o Município é propriedade de uma instituição privada sem fins lucrativos, a Fundação Gaspar e Manuel Cardoso, que também possui um lar de idosos.
Na freguesia têm expressão, em termos económicos, o sector dos serviços mas também a agricultura, caracterizada pela produção sobretudo de vinhos, de mesa e generosos, e maçã. O sector secundário está também representado por unidades de transformação de carnes instaladas em Travanca, algumas industrializadas e outras de âmbito mais familiar.


Freguesia de Cimbres
Cimbres está situada a sudeste da sede do Município num vale encimado pelo monte da Sra. da Graça. Aqui, apesar da curta distância, o Douro já não se sente nem respira, estamos em plena paisagem serrana. Na freguesia vivem cerca de 290 habitantes que constituem uma população muito envelhecida. O número de habitantes com idade acima dos 65 anos é o dobro dos que têm menos de 18. A freguesia tem em funcionamento uma escola do 1.º ciclo do ensino básico.
O povoamento desta terra remonta a tempos muito antigos, isso o atestam vestígios de vias romanas das mais importantes da península ibérica que cruzavam a freguesia.
No início da monarquia Cimbres pertenceu à “terra de Tarouca” e ao Couto de Argeriz (Salzedas). Usufruiu do foral concedido por D. Manuel I a Salzedas e em 1527 era um lugar do Concelho de Ucanha. Pertenceu ainda ao Concelho de Mondim da Beira até à extinção deste em 1896.


Para além do património já referido, em Cimbres pode visitar-se ainda a ermida da Sra. da Livração, junto da Sra. da Graça, a capela paroquial do Espírito Santo e o cruzeiro do Sr. Do Bom Despacho (1774).
Caracterizada maioritariamente por uma agricultura de minifúndio e subsistência, em Cimbres produz-se bastante fruta, cereais e batata.
Como aldeia serrana que é, Cimbres mantém a arquitectura tradicional com casas encostadas umas às outras, separadas quando muito por pequenos quinteiros.
O monte da Sra. da Graça é um dos cartazes turísticos de Armamar. Daqui se avista grande parte do espaço do Município, com destaque para a paisagem característica da parte sul repleta de pomares de macieiras. Aqui se realiza a 15 de Agosto a festa em honra da Sra. da Graça.


Freguesia de Coura
Coura é a freguesia mais pequena do Município. Aqui vivem 26 famílias clássicas num total de 42 habitantes. Tal como na maioria das freguesias do Município, a população idosa é em muito maior número, fruto da desertificação que leva os mais jovens para as grandes cidades do país e para o estrangeiro.
É uma aldeia muito antiga pois aqui se encontram vestígios pré-históricos, que vêm desaparecendo ao longo do tempo. Também aqui “passava” uma via da época romana tendo ficado alguns troços da mesma a caminho de Arícera.


O solo arenoso e pobre associado a terrenos com grandes declives ditaram que a agricultura fosse, ao longo dos tempos, praticada em pequenos “calços” onde se produz batata, maçã e castanha.
Antigamente eram cultivados cereais como trigo, centeio e cevada e, a juntar à agricultura, fazia-se também criação de gado ovino e caprino.
A aldeia conserva ainda nas suas ruelas e casas muito da arquitectura de povoado medieval que facilmente transportam para uma viagem no tempo quem a visita.

Para além do património já referido merece ainda destaque a igreja dedicada a São João Baptista, em tempos filial da de Armamar. Há também uma capela de invocação a São Vicente, situada fora da aldeia, junto do cemitério.
Freguesia de Folgosa
É a freguesia mais a norte do Município. Está situada na margem esquerda do rio Douro. Vivem na Folgosa 500 habitantes compondo um total de 157 famílias clássicas (Censos 2001).
A Folgosa teve foral atribuído por D. Sancho I em 1188. Pertenceu ao Concelho de Barcos até às reformas do liberalismo no século passado.
A paisagem envolvente é dominada pelo rio, que corre a seus pés, e pelas quintas onde se produz o famoso vinho do porto. Mesmo ao lado está uma das maiores de todo o Douro: a Quinta dos Frades. A Quinta da Folgosa, como antigamente era chamada, pertenceu ao Mosteiro de Salzedas por doação desde 1256 (daí a posterior designação de Quinta dos Frades).

Após a extinção das ordens religiosas, a quinta foi arrematada em hasta pública a 6 de Novembro de 1841 pelo 1.º Barão da Folgosa, Jerónimo de Almeida Brandão e Sousa. Em 1911, produzia então 300 pipas de vinho, passou a pertencer ao comendador Delfim Ferreira. Para além da Quinta dos Frades merece também outra referência, a Quinta da Penha, que ficou submersa pelas águas do Douro aquando da construção da Barragem de Bagaúste.
Do património da freguesia fazem parte: a igreja paroquial, da Sra. da Graça, a capela de Santa Bárbara, a capela de Sta. Teresinha (particular), capela de S. Bernardo (Quinta dos Frades) e a capela de Sta. Rita (Quinta da Redoída ou do Porto). Para além deste património religioso a Folgosa teve em tempos Casa da Roda onde se recolhiam crianças recém-nascidas abandonadas.
A freguesia tem um jardim-de-infância e uma escola do 1.º ciclo do ensino básico.
A economia da Folgosa desenvolve-se em torno da agricultura com o cultivo das vinhas e dos olivais.
Encostada ao Douro, é na Folgosa que se produzem uvas de excelente qualidade para os vinhos do porto e douro. A indústria também assume algum relevo: existem indústrias transformadoras de óleo de azeite e destilação de vinhos.


Recentemente foi construído na Folgosa um cais para acostagem de embarcações de pequeno, médio e grande porte. Numa iniciativa do Instituto Portuário e do Transportes Marítimos, esta obra pode ser aproveitada para captar para o Município o grande número de turistas que percorrem o Douro de barco. É uma infra-estrutura que tem tanto de bonito como pode vir a ter de importante no desenvolvimento do turismo em Armamar.
Freguesia de Fontelo
Existem elementos comprovativos que provam a antiguidade do povoamento de Fontelo. Terá existido o castro de São Domingos, posteriormente romanizado (“villa” agrária) que marcou o início da fixação de população nesta terra.
Fontelo é, de acordo com o Censos 2001, a segunda freguesia mais populosa do Município com 816 habitantes e 262 famílias clássicas. Á freguesia pertence ainda o lugar de Balteiro.
Foi cabeça de Concelho, elevada em 17 de Maio de 1514 através de foral manuelino, e teve juiz ordinário, escrivão, dois vereadores e procurador, cadeia, casa de audiências e pelourinho. O Concelho foi extinto em 1834/35 e integrado como freguesia no Concelho de Armamar.

Ex-libris da freguesia o monte de São Domingos, com a sua ermida típica das romarias medievais, é um dos pontos de observação da paisagem duriense mais espectacular, senão mesmo o mais extraordinário. Do miradouro de São Domingos conseguem avistar-se os Municípios de Tarouca, Lamego, Resende, Mesão Frio, Régua, Santa Marta de Penaguião, Vila Real e Sabrosa. Mesmo à frente dos olhos ergue-se a imponente Serra do Marão e aos nossos pés o Douro segue calmamente até ao Porto. A oeste, em primeiro plano, avista-se Lamego com o seu santuário da Sra. dos Remédios. Para norte vê-se a Régua e mais ao longe no horizonte vislumbra-se Vila Real.
Do património da freguesia fazem parte: a igreja paroquial de invocação a São Domingos; a capela da Sra. dos Remédios (brasonada) é das mais antigas do bispado e dava sepultura a defuntos da margem oposta do rio douro; fora da povoação existe ainda a capela da Sra. do Cedro e a ermida de S. Domingos, lá em cima no monte com o mesmo nome. Merece ainda referência o Paço do Bispo, residência armoriada e setecentista que serviu de Câmara dos Bispos.
O vale ou veiga de Naçarães é muito fértil e aqui abundam as vinhas e os pomares. O vinho constitui uma parte importante da economia da freguesia. Para além disto, a actividade económica estende-se ainda à indústria, nomeadamente, a exploração de granitos que é feita na parte nascente do monte de São Domingos.
Fontelo tem em funcionamento um jardim-de-infância e duas escolas do 1.º ciclo do ensino básico: uma em Balteiro e outra em Fontelo.
A freguesia está servida por uma IPSS – Centro Social e Paroquial de Fontelo que preta serviço aos idosos, dispondo de lar e apoio domiciliário.
Freguesia de Goujoim
Goujoim está situada a leste de Armamar, junto do rio Tedo. Com 102 habitantes (Censos 2001) é uma das mais freguesias mais desabitadas. É um povoado concentrado com arquitectura característica das aldeias isoladas. Da freguesia faz ainda parte o lugar da Ribeira de Goujoim.

Os inúmeros vestígios arqueológicos encontrados na freguesia são prova mais que evidente da ocupação remota deste lugar. Goujoim é talvez a freguesia com o património arqueológico mais rico de todo o município.
O interesse arqueológico da freguesia pode perceber-se se enumerarmos alguns pontos de interesse que merecem uma visita: o castro situado numa eminência rochosa voltada para o Tedo com grande parte das suas muralhas ainda intacta; a necrópole do Mogo composta por diversos túmulos, um deles antropomórfico (com a forma do corpo humano); o marco miliário, exemplar único em Portugal, só se conhecendo a existência de mais dois em Espanha; a fonte romana situada na zona do castro, o pelourinho na praça central da aldeia, exemplar único no Município, entre muitos outros.
De facto Goujoim é uma aldeia repleta de história. Sede de Concelho na primeira metade do século XVI conserva ainda a casa da Câmara (e cadeia) com a sineira medieval, atributo das residências municipais e o pelourinho (segunda metade do século XVII). A importância histórica de Goujoim está também bem patente no número de casas solarengas que preenchem o centro habitacional da aldeia, com especial destaque para a Casa Preta.


O lugar da Ribeira de Goujoim, situado na margem direita do rio Tedo, é também um pequeno povoado caracterizado por uma vida comunitária com laços estreitos de vizinhança e onde as tradições comunitárias já desaparecidas em todo o lado aqui se fazem ainda sentir.
É na Ribeira de Goujoim que se encontram as Caldas da Moura, ou Fonte de D. Moira. Aqui a natureza fez nascer uma água considerada por muitos médicos e especialistas como benéfica para cura de muitas doenças. Esta água foi muito usada pelo médico municipal, Dr. Scipião José de Carvalho (1865-1926) em doentes seus tendo alcançado bons resultados.


Também o médico Dr. João de Araújo Correia a usou, tendo deixado um opúsculo (1948) em que refere casos de sucesso na cura de doenças por administração desta água. Infelizmente, a mobilização de terras para abertura de uma estrada terá provocado a mistura de diferentes nascentes e esta água com propriedades tão particulares terá perdido as suas características singulares.
Freguesia de Queimada
A história de Queimada cruza-se com a da vizinha cidade de Lamego ao longo de vários séculos. A localidade fez parte desde a alta Idade Média, juntamente com Queimadela, da terra ou termo de Lamego.
Do património de relevo na freguesia destacam-se a igreja matriz de invocação a São Pedro e as apelas do mártir São Sebastião e de Santo António.
Situada num planalto junto do monte de São Domingos e em pleno vale de Naçarães, local onde têm sido encontrados diversos achados arqueológicos a provar a antiguidade da ocupação destas terras, Queimada tem (segundo o Censos 2001) 304 habitantes que compõem 225 famílias clássicas. Tal como na quase totalidade das freguesias do Município, a população tem vindo a envelhecer, sendo que as pessoas com idades superiores aos 65 anos representam já cerca de 45.4% da população total.
Queimada tem grande potencial de produção agrícola com especial destaque para a produção de vinho, batata, fruta e produtos hortícolas. Pratica-se uma agricultura de subsistência em explorações de cariz familiar.
É em Queimada que podemos visitar a primeira unidade de alojamento turístico a surgir no Município. Trata-se de um empreendimento de turismo rural, a Quinta da Barroca, que oferece aos seus clientes um vasto conjunto de serviços, isto para não falar no enquadramento paisagístico de que se desfruta no local.
Em Queimada existem em funcionamento um Jardim-de-infância e uma Escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico.
LENDA ANTIGA DE S. DOMINGOS DE QUEIMADA
Quando por aqui passaram as hostes romanas de Trajano que acamparam no Castro de S. Domingos, um chefe militar ou lugar-tenente raptou, à passagem por Queimada, uma linda rapariga por quem se apaixonou. Procurou convencê-la a segui-lo para o acampamento. Renitente, acabou por ir à força.
A moça tinha sete irmãos que tentaram, em vão, defender a honra da rapariga. Presos, foram degolados. Um deles, segundo a lenda, terá sido o primitivo S. Domingos em honra do qual foi erguida a ermida, no alto do monte do mesmo nome que na altura pertencia ao termo de Queimada, e de onde se avistam os restantes seis irmãos, todos santos e cada um com a sua ermida, aquém e além Douro, como é o caso de S. Leonardo de Galafura.
Freguesia de Queimadela
Queimadela situa-se no extremo poente do Município e faz fronteira com o rio Varosa.
Falar da história de Queimadela é quase a mesma coisa que falar da história de Queimada e de Figueira, freguesia pertencente ao Município de Lamego. As inquirições de D. Dinis provam que, desde o século XIII Queimadela e Figueira constituíram uma só unidade administrativa (freguesia) do Concelho de Lamego. Em termos paroquiais também se verificou esta união, ou seja, Queimadela estava agregada a São João de Figueira e chegou mesmo a ser filial da Matriz de Britiande. Esta união só terminou em meados do século XVIII.
Outra prova da antiguidade e importância de Queimadela na época medieval surge no Cadastro de 1527, então com 34 moradores, foi honra do aio de D. Afonso Henriques.
Do património existente destaca-se a igreja paroquial (Sra. da Piedade) e a capela de São Lourenço, esta num ponto excelente para apreciar a paisagem envolvente, nomeadamente a Cidade de Lamego e a envolvente ao rio Varosa.
A freguesia é actualmente composta por 331 habitantes e é a que tem a maior densidade populacional do Município, 132.6% (dados Censos 2001). No apoio à educação os habitantes de Queimadela têm um jardim-de-infância e uma Escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico.
A agricultura é intensiva e caracteriza-se por uma predominância grande do cultivo da maçã (197 hectares num total de 202 de superfície agrícola existente). Antigamente, os declives acentuados para o rio Varosa eram também muito aproveitados para as culturas da vinha, azeite, cereais e batata.
De referir que antigamente Queimadela foi lugar de grande produção de telha (mourisca e de canudo). A antiguidade desta arte em Queimadela remonta ao período medieval, comprovada por fornos entretanto soterrados. Nessa época a actividade era mais vasta, alargando-se à produção dos mais variados utensílios domésticos e objectos decorativos. Com a introdução da prática da cobertura das casas pela telha de cerâmica é que a actividade se centrou na produção destas.
Das artes e ofícios há que referir um que, felizmente, ainda prevalece: a tanoaria. Dois irmãos mantêm a tradição desta arte, que herdaram do pai: um dedica-se mais à produção de miniaturas de madeira (pipos, canecas, bonecos, carros de bois, etc.); o outro centra a sua actividade na produção da tanoaria e vasilhame propriamente ditos, a partir da madeira de castanho, matéria-prima da região.
website de Queimadela
Freguesia de Santa Cruz
Santa Cruz de Lumiares, ou Santa Cruz, fica na parte sul do Município. Tudo leva a crer que a “villa” rústica tenha tido um templo a Santa Cruz e daí o nome da localidade.
O nome de Santa Cruz de Lumiares já existia no século XII e provém do facto de ter sido dependente do Couto de Lumiares, uma vez que aparece nos limites dele em 1161 e as inquirições de 1258 (D. Afonso III) também o confirmam.


Da freguesia faz ainda parte o lugar de Vila Nova, situado mais a sul.
A agricultura que se pratica é de subsistência e em regime de minifúndio. Cultiva-se batata, cereal, fruta e vinho.
Nos últimos anos tem-se intensificado a produção de maçã em extensos pomares que introduzem mudanças ao nível da paisagem.
A pastorícia, actividade que vem de tempos remotos, ainda vai representando algo na economia da freguesia mas já muito longe da realidade de outros tempos.
Actualmente a freguesia não tem mais de 200 habitantes, sendo que crianças e jovens representam apenas 17% da população.
Do património histórico da freguesia fazem parte a igreja paroquial, a capelinha da Sra. da Livração (1874), capela Miradouro da Sra. da Saúde, em Vila Nova na serra do mesmo nome e a capela do Espírito Santo, também em Vila Nova.
Destaque especial merece a capela de São Gregório pela importância que o culto associado a este monumento tem, não só a nível da freguesia mas também do Município. A Feira e Romaria a São Gregório acontece a 12 de Março e tem longínquas tradições que interessa preservar.


Vila Nova, a outra localidade da freguesia tem origens no século XII ou até mesmo antes da Nacionalidade nalgum prédio rústico. Neste lugar são tradição as indústrias caseiras de lacticínios e carne como resultado da actividade da pastorícia. Vila Nova é conhecida por ser a terra dos queijinhos de cabra e de outro produto que é um dos melhores rótulos da gastronomia de Armamar, o Cabritinho.
Com pastagens de excelente qualidade, Vila Nova está muito ligada à pastorícia com criação de gado caprino. Antigamente outras actividades artesanais aproveitavam todos os recursos da pastorícia, caso das mantas de burel, que eram feitas em São Martinho e Lumiares, terras de fiadores e cardadores. Os pastores usavam-nas no Inverno atadas aos ombros, em conjunto com polainos de junco feitos em Vila Nova e que os protegiam dos frios e das grandes nevadas. Outra das indumentárias dos pastores era a palhoça (ou croça), espécie de sobretudo feito em junco ou palha de centeio e que servia para os proteger da chuva.
website de Santa Cruz
Freguesia de Santiago
Em Santiago vivem 180 habitantes (Censos 2001) distribuídos por 76 famílias clássicas. É uma localidade com história muito antiga. Recebeu Carta de Foro de D. Afonso Henriques (1169) e a ela se referem as inquirições de 1258. Na primeira metade do século XVI era lugar do termo da vila de Armamar.
Do património que prevalece destaca-se o religioso: a igreja paroquial, que foi filial da de Armamar; as capelas da Sra. das Dores e de Sto. António (ambas do século XVIII).


A capela da Sra. das Dores domina a freguesia. Situada numa elevação enquadra o recinto da feira antiga que se realizava aos domingos e onde se comercializavam sobretudo produtos da lavoura e da criação de gado. Nos anos 80 a tradição que se havia perdido de realizar esta feira foi retomada e actualmente acontece no primeiro Domingo de cada mês.
Produz-se batata, vinho, castanha e cereais. No entanto, e como acontece de forma generalizada por todas as freguesias do sul do Município, os pomares de maçã têm ganho destaque.
Faz parte da freguesia de Santiago o lugar de Paços. Antigamente era “villa” rústica e independente de Santiago. Foi também mandada povoar por D. Afonso Henriques. O nome do lugar deriva certamente de um paço senhorial anterior à Nacionalidade que aqui terá existido.
Freguesia de Santo Adrião
Santo Adrião faz fronteira com o Município de Tabuaço e tem o rio Tedo a servir de fronteira de demarcação. Na sua margem direita, a freguesia assenta num declive montanhoso onde predominam os socalcos das vinhas durienses.
A povoação pertencia, nos princípios do século XVI (1527), ao Concelho de Barcos, tendo sido lugar do termo desta vila a que D. Afonso III deu carta de foro em 1263. No século XIX, com a supressão desse Concelho, Santo Adrião passou para Armamar.

A Antiguidade da freguesia é documentada por um grande número de achados e vestígios arqueológicos: sepulturas cavadas na rocha; uma fortaleza a pequena distância da povoação, provavelmente da época castreja; moedas e cerâmicas encontradas em diversos pontos, entre muitos outros.
Um dos elementos do património que mais destaque merece é a ponte romana, assim designada, muito embora seja de construção do século XV. No entanto, os seus contrafortes revelam estrutura românica e poderá ter sido construída sobre as fundações de uma outra mais antiga, possivelmente romana. Dessa época existiram no local umas poldras (pedras colocadas no leito dos rios para servir de passagem) mas que foram destruídas por uma cheia em 1962.

Na freguesia vivem 145 habitantes (censos 2001) que se dedicam, na sua esmagadora maioria, à agricultura. A vinha e o vinho constituem quase exclusivamente o cartaz agrícola. Aqui se produzem vinhos, generosos e de mesa, de excelente qualidade. Santo Adrião também já foi um bom lugar de produção de azeite e laranja. Chegaram a funcionar duas azenhas (a mais antiga datada de 1757) que laboravam durante dois a três meses no ano. No entanto, há cerca de três décadas a “ferrugem” dizimou a cultura do olival. Os terrenos, mobilizados, foram reconvertidos em vinhas.
Freguesia de São Cosmado
São Cosmado é uma das maiores freguesias do Município. Em 2001 aqui viviam 707 habitantes. Da freguesia fazem ainda parte as povoações de Contim, Lapinha e Cardais. Está situada no limite sul do Município, fazendo fronteira com os de Moimenta da Beira e Tabuaço.
A história de São Cosmado tem tanto de antiguidade como de riqueza. Nesta zona são abundantes as lendas, os contos e as histórias. Existem vestígios de uma fortaleza castreja a nascente da actual povoação no monte do castelo. Esta tinha por vizinhas outros três: espaços fortificados (castros): o de Goujoim, o de Longa e o monte Ladário. Isto revela que a zona terá sido densamente povoada em tempos remotos.
Mais tarde São Cosmado terá usufruído de foral antigo e depois de foral manuelino, este concedido a 15 de Dezembro de 1512, consagrando São Cosmado como Concelho. No Cadastro de 1527, tinha 65 moradores e confrontava com os Concelhos de Lumiares, Goujoim, Granja do Tedo e Castelo. O Concelho de São Cosmado foi suprimido em 24 de Outubro de 1855, passando a pertencer, como freguesia, ao de Armamar. O desenho urbano da vila revela muitos traços dessa época.


No princípio do século XX cultivava-se tabaco em São Cosmado e, a julgar pelos registos deixados, seria de muito boa qualidade.
Do património da freguesia destacam-se: a igreja matriz, seiscentista, de São Cosme e São Damião, com talha dourada barroca e considerada a mais artística do Município. Este templo terá sido construído no início do século XVII mas antes existiu um outro templo, dos princípios da Nacionalidade, no fundo do povoado no sítio das Fontaínhas que ainda hoje é reconhecido pelo nome de Igreja Velha; merece também atenção o Cruzeiro do Senhor das Prisões e, ao fundo da freguesia, dois blocos graníticos de grandes dimensões e encostados um no outro, os Penedos do Cunho, envoltos em mistérios e lendas curiosas (uma lenda diz que um deles contém fogo e outro oiro); de referir ainda as capelas de S. Pedro (1640), do Sr. da Aflição (1904), de S. Gonçalo, da Sra. da Conceição; ainda nos Cardais a capela de S. João (seiscentista) e, da mesma época, na Lapinha, a capela de S. Francisco.
Junto da Igreja Matriz pode ver-se o busto de um insigne local, Francisco Gomes Teixeira (1851-1933), professor catedrático de Matemáticas e primeiro reitor da Universidade do Porto.
A agricultura da freguesia resume-se praticamente ao cultivo da maçã. No entanto, a vinha tem também uma pequena representação.
Em termos de estruturas de apoio à educação, São Cosmado contava até ao ano 2005 com 4 estabelecimentos: um jardim-de-infância e uma Escola do 1º Ciclo do Ensino Básico na sede de freguesia e mais três escolas em Contim, Cardais e Lapinha. A diminuição gradual da população levou ao encerramento de todas as unidades de ensino com excepção das instaladas mesmo na vila.
São Cosmado conta com serviços de apoio aos idosos, a cargo da Associação de Solidariedade Social e Recreativa de São Cosmado, que presta apoio nas valências de centro de dia e apoio domiciliário.
Contim é o segundo lugar da freguesia. Os Cardais e a Lapinha são aglomerados mais modestos e, ao contrário de Contim, desviados do eixo da estrada nacional. Estas duas pequenas povoações estão referenciadas como antigos centros de tecelagem manual, pisoamento de buréis e fiação de lãs.
Mas, voltemos a Contim. Aqui destaca-se, pela sua dimensão e beleza arquitectónica, a capela da Sra. dos Milagres. Segundo a tradição oral terá sido construída a mando de D. Maria I, como retribuição de uma promessa pela cura do infante que, segundo a mesma tradição terá sido amamentado por ama da Granja do Tedo. A enquadrar este templo, enriquecendo a envolvente do local, surgem duas construções associadas ao tempo das peregrinações: a Casa da Novena e o artístico fontanário das três bicas, na fachada da Casa da Novena.
Freguesia de São Martinho das Chãs
São Martinho é uma freguesia bastante grande com três povoações: S. Martinho, Gogim e Lumiares. Com 762 habitantes (Censos 2001) e 226 famílias clássicas é a segunda maior em área total com 9,7 km2 (num total de 117,1 km2 que tem o Município). Na freguesia existem duas escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico, uma em Gogim e outra em Lumiares.

A povoação fez parte do termo da vila de Lumiares até à extinção do mesmo Concelho em 1834, altura em que passou a integrar o de São Cosmado até 1855. É uma das mais antigas paróquias da diocese de Lamego e o templo primitivo que existia no local da actual igreja terá origens no período da monarquia visigótica. (século VI).
Em 1527 o “Numeramento” dava à cabeça de Concelho (Lumiares) 43 moradores, tendo: S. Martinho, 30; Vila Nova, 6; Santa Cruz, 43; Gogim, 63; e Casal de Fagilde, 2. Todos estes lugares eram pertencentes ao Concelho de Lumiares.
No Couto de Lumiares, composto pelas povoações de S. Martinho, Gogim, Vila Nova e Santa Cruz imperou o influente barão e trovador medieval D. Abril Peres, bisneto de Egas Moniz.
As ruas de São Martinho, estreitas e compondo na sua totalidade um povoado muito compacto, remontam ao típico ordenamento medieval. Um passeio pela povoação é assim quase uma viagem no tempo. Do património de S. Martinho ressalta a importância da Igreja Paroquial, coeva da de Armamar e das mais antigas do Município. É um monumento que requer uma visita atenta para apreciar alguns pormenores interessantes: um relógio de sol na parede sul; a torre do relógio; a cornija repleta de modilhões representando motivos simbólicos, isto para falar só do exterior do monumento.

A freguesia de São Martinho das Chãs, situada na parte sul do Município e já numa zona de transição para climas mais frios, teve e tem uma agricultura diferente da que encontramos nas freguesias mais a norte, junto ao vale do Douro. Aqui se produzia antigamente muito cereal, nomeadamente centeio e milho, azeite e vinho.
Nos dias de hoje já não se vê cereal nem azeite e, mesmo vinhas, são muito poucas. A cultura dominante é a maçã. Gogim é o centro da fruticultura do Município. Na freguesia estão concentradas grande parte das unidades de refrigeração que conservam toneladas de maçã entre o período da colheita e expedição para os pontos de venda.
A cultura da maçã terá surgido aqui pela mão de D. Francisco Maria Martinho de Almeida Manuel de Vilhena (9.º conde de Vila Flor e 2.º de Alpedrinha). Era um famoso engenheiro agrónomo e a ele se deve a experiência bem sucedida da cultura da maçã em Gogim.

Em Gogim merece destaque pela sua beleza, imponência e importância histórica a Casa Grande. Residência nobre, é o único solar existente no Município e aqui viveram os condes de Vila Flor e Alpedrinha. Tem capela particular de invocação a S. Domingos. Em 1713 teve obras de reconstrução para receber a boda de D. Miguel Teixeira de Carvalho (1669-1756) com D. Maria Engrácia de Albuquerque. Este acontecimento marcou a memória dos habitantes de Gogim e de todas as gentes do Concelho pela dimensão da festa com grande número de convidados, e pela abundância das sedas e dos damascos e o luxo dos coches que ali se viram.
Lumiares, a outra povoação da freguesia, foi em tempos terra muito importante. Cabeça de Concelho e de Condado, no primeiro terço do século XIV era paróquia da diocese de Lamego.
Teve foral antigo e D. Manuel concedeu-lhe foral novo em 9 de Março de 1515 com casa de Câmara, vereadores e justiça própria com juiz. Em 1834 o Concelho foi extinto.
Do património de Lumiares, que terá sido muito rico, pouco resta. A capela paroquial, de invocação a Sra. da Graça persiste juntamente com o pelourinho, muito embora este tenha sido transformado em cruzeiro. No entanto não há grandes vestígios da arquitectura urbana medieval, nem dos paços nobres que foram habitação dos filhos de Egas Moniz e depois de D. Abril Peres, senhor do Condado.
Freguesia de São Romão
O nome vem do próprio padroeiro da paróquia. Da freguesia fazem parte ainda os lugares de Alcouce, Travasso e Os Passos. Aqui vivem, segundo dados estatísticos de 2001, 233 habitantes que compõem uma população maioritariamente envelhecida.
Há inúmeras referências escritas a S. Romão, a maioria a partir do século XII, e que atestam a antiguidade desta terra. Na Idade Média, foi atribuída à população “honra de cavalaria”, terra doada pelo Rei a ricos homens para que ali se tratasse dos homens que haviam de ser seus cavaleiros na guerra. Na Idade Média a cavalaria era a parte mais importante do exército, daí se pode retirar a importância da escolha de São Romão para terra de preparação desses elementos.
O Papa Paulo V aprovou, em 1616, uma das mais antigas irmandades das almas em São Romão.
Do património de relevo na freguesia refira-se a igreja paroquial (1649), a capela da Sra. da Costa, no monte do mesmo nome (também era conhecida por Sra. do Direito e tinha por devotas em especial as mulheres casadas), em Os Paços a capela de Sto. António (oitocentista e também conhecida por Sra. da Boa Morte). Há ainda que referir casas de antigas famílias abastadas, como são: a Casa da Cerca e a Casa dos Regos.
Em São Romão produzia-se, no século XVIII, essencialmente cereal (milho, trigo e centeio). No século XIX já se cultivava também a cevada, fruta e vinha. Nos dias de hoje predominam os pomares de macieiras e as vinhas para produção de vinhos da região do Varosa.
Freguesia de Tões
Tões é a freguesia mais pequena do Município, com apenas 2 km2 e aqui vivem 195 habitantes.
Segundo a tradição o local primitivo de implantação do povoado terá sido num declive da Fraga da Pena, lugar das Cortinhas, não muito distante da capela da Sra. da Guia. E, de facto, lá têm aparecido alguns vestígios arqueológicos (restos de cerâmica e outros).
Em 1527 Tões era um pequeno lugar, apenas com 30 moradores, do termo da vila de Armamar. Nesta altura ainda não existia a paróquia independente de Sta. Senhorinha e Tões era anexo da Paróquia de S. Miguel de Armamar. O primitivo templo de Santa Maria localizava-se no lugar já referido das Cortinhas e daí terá surgido o culto à Sra. da Guia. Do novo templo tem-se referências no início do século XVII.
Para além do património já referido, em Tões conta-se ainda a capela de Sto. António, a capela da Sra. da Graça, particular e integrada na Quinta da Lama Redonda e a Fonte Velha (1701).
A capela da Sra. da Guia foi construída por voto antigo das populações de Aldeias e Tões e posteriormente reconstruída (há referências de que se encontrava em ruínas em 1606) pelas mesmas povoações em 1676 e por iniciativa de Manuel Cardoso Leitão e sua mulher, D. Serafina Teixeira de Lucena, as mesmas pessoas que mandaram fazer a capela da Sra. das Neves em Travanca. A romaria a esta capela, na segunda-feira de Páscoa, foi sempre muito concorrida.
A Quinta da Lama Redonda, “villa” rústica no século XII, das mais antigas da região, é digna de referência no património da freguesia. A ela existe referência de 1191 como instrumento de doação ao mosteiro de Salzedas por Pedro de Ooriz. É composta por vinhas e uma casa solarenga de dois pisos com capela particular (a que já se fez alusão).
Em Tões produz-se vinho, fruta e batata. Os cereais, trigo e centeio, foram cultivados noutros tempos. O Monte Raso era considerado um grande “celeiro” na freguesia e fora dela.
Freguesia de Vacalar
Muito próximo do Douro, Vacalar é uma das freguesias mais a norte do Município. Dela faz parte a povoação de São Joaninho.
Em tempos, tanto Vacalar como São Joaninho foram lugares anexos da freguesia de Armamar. Em 1958, Vacalar adquiria a sua autonomia administrativa.
A padroeira do Vacalar é Nossa Sra. da Graça com igreja construída num lugar onde havia existido uma capela medieval da mesma invocação.
Do património religioso da povoação faz ainda parte a capela de Santa Ana. Existem também duas capelas de invocação a S. José, ambas particulares; uma na Quinta de S. José do Barrilário (1747) e outra na Quinta do Vilarinho. A Quinta do Temilobos possui também uma capela da segunda metade do século XIX dedicada à Sra. da Conceição. Em São Joaninho refira-se a capela da Sra. do Carmo (reconstruída em 1898).
A freguesia é produtora de vinhos de mesa e generosos (Porto) de excelente qualidade. Aqui abundam as quintas onde se trabalha debaixo de temperaturas que no verão facilmente ultrapassam os 35 graus centígrados. Para além do vinho, também se produz bastante azeite e de muito boa qualidade.
Uma cultura que foi muito popular no século passado foi a do sumagre (arbusto que dá um fruto redondo avermelhado e que tem aplicação em tinturaria e farmácia). Este produto era vendido para Vila Real (a 3$50 a arroba) para a indústria de curtumes.
Do Vacalar eram naturais os beneméritos Gaspar e Manuel Cardoso que deixaram uma considerável fortuna para a construção do Hospital de Armamar. Os seus bustos podem ser vistos na fachada do edifício, actualmente propriedade da Fundação Gaspar e Manuel Cardoso, onde funciona o Centro de Saúde.
LENDA DO MILAGRE DE SANTA ANA
Associado ao culto a santa Ana existe uma lenda que conta que a 26 de Julho de 1727, dia consagrado à santa, em pleno verão e numa vinha da aldeia terá jorrado água em abundância. Para tentar descobrir o porquê deste estranho fenómeno os homens da povoação cavaram no local e ter-se-ão deparado com ruínas de uma construção em cantaria que depois serviu para a fonte que actualmente existe.
Freguesia de Vila Seca
Situada a nordeste de Armamar, a freguesia de Vila Seca é das mais extensas em área no Município.
Vila Seca foi couto de instituição senhorial, depois couto eclesiástico da Sé de Lamego. Foi vila e cabeça de Concelho, referido no Cadastro de 1527 como sendo constituído apenas pela povoação de Vila Seca. O Marmelal, actualmente povoação da freguesia, era na altura lugar do termo e vila de Armamar.

Vila Seca teve tribunal, casa da Câmara, cadeia e pelourinho. O Concelho foi extinto no período constitucional (1863) e passou a freguesia do Concelho de Barcos. Com a extinção passou a fazer parte do Concelho de Armamar.
O lugar da ancestral povoação seria no sítio do Outeiro, uma pequena elevação a poente. No entanto, também a norte e até ao alto do Marmelal surgiram diversos vestígios arqueológicos que provam ocupação remota desses locais: lagares cavados na rocha, necrópoles, cerâmica e moedas do período romano são alguns exemplos. Na desaparecida povoação de Vila Chã, no lado oposto ao alto do Marmelal, foram também recolhidas peças de cerâmica e moedas.
A freguesia de Vila Seca está situada numa zona marcadamente duriense. Não é pois de admirar que grande parte da produção agrícola seja o vinho e o azeite. Em tempos o cultivo dos cereais também teve alguma expressão.
Na primeira metade do século XX, com a instalação em Vila Seca do primeiro hospital do Município, muitos médicos recomendaram a aldeia como excelente local de veraneio e descanso para quem quisesse fugir à vida agitada e poluição das cidades. Com boas águas, bons ares, paisagens verdejantes em volta, os rios Douro e Tedo ali perto e mais ao longe a vista da Serra do Marão, Vila Seca depressa ficou famosa e no verão muitas famílias escolhiam o local para férias.
A igreja matriz, de invocação ao Divino Espírito Santo, terá sucedido a um templo mais antigo, a capela da Sra. do Ervedeiro. Do património de Vila Seca fazem ainda parte a capela da Sra. do Leite, junto do cemitério, a capela de Nossa Sra. da Conceição (1863) situada na Quinta de Castelo Borges, o Palácio dos Viscondes de Valmor (com diversos elementos emblemáticos dos palacetes de finais do século XVIII), e ainda, à entrada da povoação, um edifício de finais do século XVIII que terá sido residência de D. Luís da Silva, par do Reino.
Figuras de relevo na freguesia foram os irmãos beneméritos José e António Rodrigues Cardoso que fizeram fortuna no Brasil. A eles se ficaram a dever as obras de captação de água e construção do fontanário no Cimo da Vila, o calcetamento da rua principal, a construção da escola e do hospital com asilo e creche.

O Marmelal, segunda povoação da freguesia, foi um dos primeiros concelhos de Armamar. Teve foral no ano 1194.
Durante séculos a povoação não tinha nenhum acesso por terra, sendo o rio Douro a única via de contacto com o exterior.
O Marmelal é visita obrigatória, mais que não seja, para poder desfrutar do quadro paisagístico que dali se vislumbra: o rio Douro ao fundo, com a foz do rio Tedo que a ele se junta enquadrados pela beleza dos socalcos de vinhas onde se cultivam as uvas para produção dos excelentes vinhos do Douro e Porto.
Digna ainda de referência é a capela da Sra. das Neves mesmo no centro da povoação.
PAI CALVO
A sul do Marmelal, e por baixo da Fraga do Gato, existem umas ruínas de casas de xisto, casas de habitação e lagares. São as ruínas de Pai Calvo. Aqui terá existido antigamente uma quinta (Quinta de Paicalvo), também conhecido por “Eiras de Pay Calvo”.

A ocupação do lugar deve remontar a meados do século XVII, altura em que os vinhos do Douro começaram a ser exportados com sucesso e a viticultura duriense se começou a expandir. A história deste lugar está portanto ligada à história do cultivo da vinha no Douro.
No século XVIII Pai Calvo era lugar de destaque na estrutura vitivionícola duriense. Nas demarcações pombalinas de 1757 a Quinta de Paicalvo foi incluída na “zona provável de feitoria”, a segunda melhor classificação, a seguir à de Feitoria.
Sendo uma quinta produtora de vinhos de grande qualidade não seria de esperar vê-la hoje deserta, onde só as paredes de xisto permanecem para perpetuar a memória do lugar. A desertificação de Pai Calvo ficou a dever-se à praga da filoxera que devastou o Douro e provocou um “virar de página” na história da região.
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